Moléculas Titânicas

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Publicação Original: CBME InFormação Nº 11
Data de publicação original: 01/07/2006

Durante uma aula introdutória sobre proteínas oferecida aos participantes da Escola Avançada de Biotecnologia 2006 – realizada no IFSC, no início do ano –, o professor Richard Garratt, coordenador de inovação do CBME, falou do grande número de possibilidades de arranjos para formar essas moléculas. Na ocasião, lembrou que a maior proteína conhecida, a titina, tem aproximadamente 27000 aminoácidos encadeados – o número impressiona e faz pensar na “beleza de ser um eterno aprendiz”.

 

 

Antes de entrar no raciocínio do professor, entretanto, vamos lembrar de alguns conceitos que você aprendeu na aula de matemática. Por exemplo, sabendo que uma senha de caixa eletrônico é formada por quatro letras que podem se repetir, quantas opções existem para essa senha?

Para a primeira letra existem 26 alternativas; para a segunda, também 26, e o mesmo para a terceira e a quarta letras. Assim, é possível criar 26 x 26 x 26 x 26 = 456976 senhas! Ou, de maneira mais elegante, 264 .

Voltando à aula de biologia... como existem 20 aminoácidos na Natureza, é de se esperar que o número de combinações possíveis desses compostos em uma molécula do tamanho da titina (que tem exatamente 26926 aminoácidos) seja 2026926 . Passando para a potência de 10 e arredondando para baixo, esse número é o mesmo que o algarismo 3 seguido de 35031 zeros. Ele é tão grande que, para escrevê-lo precisaríamos de duas edições inteiras do CBME INFORMAÇÃO – sem direito a imagens!

O PDB, Protein Data Bank, que é o principal banco de dados onde os cientistas armazenam as informações sobre as proteínas, tem atualmente cerca de 40 mil estruturas registradas. É muito em termos absolutos, mas ainda é praticamente zero se comparado com o número de moléculas possíveis.

Juntemos a isso o fato de as proteínas serem fundamentais em todos os processos biológicos e chegaremos à conclusão de que ainda há muito o que se descobrir a respeito dos seres vivos e de todas as suas possibilidades.

Ao desvendar, pouco a pouco, esse conhecimento, a ciência parece fazer coro com o samba e mantém o acesa a questão “E a vida? E a vida o que é diga lá, meu irmão...”

Felipe Moron é jornalista e licenciando em Ciências Exatas

 
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